10 reais

Publicado: sábado, 10 setembro , 2011 em Livre

Hoje foi um dia atípico. Estava prestes a realizar minha homologação no inicio da tarde, fechando meu ciclo na empresa em que colaborei por dois anos. E quando um novo ciclo está nascendo, eu tenho a tendência de ficar mais sensível ao que ocorre ao meu redor. Ando sem tocar o chão, observo as pessoas de um jeito diferente, minha audição fica mais aguçada, minha mente viaja para lugares distantes e meus pensamentos se cruzam com a realidade causando um choque existencial. Tudo isso ocorre na maioria das vezes quando estou no ônibus, estranho né? Mas entrar, sentar-me nas cadeiras mais altas e de preferência do lado da janela, ouvindo uma música, fazem-me transportar pra um mundo só meu, onde consigo visualizar minha vida de ponto a ponto simplesmente observando as ruas através da janela.

O que desejo relatar é sobre o pós-homologação, quando sai do sindicato dos profissionais de tecnologia na Avenida Angélica e fui pagar uma conta no Banco do Brasil, até ai nada demais, tudo ocorrendo dentro do planejado. O que não estava nos planos era ser surpreendido na volta, no cruzamento próximo ao metrô Marechal Deodoro, quando em toda minha distração sou abordado.

“Do you speak English?” é a primeira frase que ouço. Virei pra ver quem tinha feito à pergunta e vejo um senhor aparentando pouco mais de 40 anos, barba grande e cabelos loiros, olhos claros, roupas gastas e com um semblante de esperança em perceber que eu entendi a pergunta. Era uma pessoa em situação de rua. “So so” respondi apreensivo pelo que viria, mas parei e dei atenção.

Imediatamente pediu desculpas pela situação e logo depois as palavras começaram a sair de forma bem clara, enfatizando um pedido de ajuda desesperador. Disse-lhe que não tinha dinheiro, e realmente não tinha, nem mesmo os 10 reais que costumo carregar na carteira. Mas mesmo assim ele insistiu em dizer que tinha um mercado com caixa eletrônico perto e que ele me acompanharia até lá. Naquele momento fiquei assustado, afinal mesmo sendo dia, nunca se sabe o que pode acontecer em situações como essa, mas por segurança dei outra alternativa: “Fique aqui, vou ao banco e volto rápido”. Essa conversa toda em Inglês, difícil, mas ele entendeu.

Voltei ao mesmo banco em passos acelerados para sacar dinheiro e pra minha “sorte” tinha fila e acabei demorando um pouco, mas consegui retirar uma quantia. Sai da agência em passos acelerados ao mesmo tempo em que uma voz me dizia “Será que ele ainda está lá?”. Enquanto o tempo passava comecei a correr torcendo pra que ele estivesse a minha espera, pois seria terrível não encontrá-lo.

Antes mesmo de chegar ao cruzamento consegui avistá-lo. O semáforo estava fechado quando ele percebeu que eu tinha voltado… e ao me ver, levou suas mãos ao rosto e do outro lado da rua vi um sorriso de felicidade nascer dizendo ”você voltou!”.

Atravessei a rua pra terminar aquele momento vespertino. Tudo estava confuso e não havia perguntado quase nada… ele disse que precisava de 10 reais. Como 10 reais era suficiente e valia tanto pra ele e comigo certas coisas sempre parecem ser insuficientes ao ponto de gerar reclamações? Como isso é possível? Indagava. Então, nesse pequeno espaço de tempo no meu pensamento e seu pedido dei-lhe o dinheiro e comecei a perguntar outras coisas. Seu nome é Warren, sul-africano (não recordo de qual cidade), pai de dois filhos pequenos, sem passaporte e no Brasil há quase 2 meses, motivo por estar na rua não consegui descobrir. Mas o que estava me chamando à atenção era a quantidade de feridas nos braços e rosto, realmente estavam bem visíveis e tive que perguntar qual era o motivo. Warren respondeu algo que não imaginava ouvir… “I have AIDS”. Mas como você adquiriu? Drogas? Sexo? Questionando ceticamente. Ele levantou a camisa e mostra uma cicatriz de cirurgia, ali estava o motivo. Acredito que algo relacionado com a transfusão de sangue durante o processo cirúrgico, não compreendi direito sua explicação e nem mesmo como isso possa ter acontecido, mas aquelas feridas condiziam e acreditei nele.

Em choque, sem saber o que fazer e o que dizer. Perguntei se poderia orar por ele naquele momento, na rua mesmo, foi a primeira coisa que me veio a mente, Warren respondeu sim prontamente, e dessa forma orei em poucas palavras travadas em Inglês. Nos despedimos e cada um seguiu seu caminho.

Não quero dizer nada, apenas tentar expressar essa experiência que me impactou muito. Sabe quando você cai em si? Pois é… foi isso. O que estou fazendo com a vida que Deus me deu? Estou fazendo o melhor possível? Estou agradecendo o suficiente? Não sei como responder, pelo menos agora… mas tenho certeza que esta cidade tem feito minha humanidade se perder um pouco… ligado no piloto automático indo pra algum lugar em busca de alguma coisa que acho que é bom… onde está a vida?

Minha oração é que eu possa diariamente encontrar real sentido no que faço… sentido onde estou… sentido real e pleno de vida aqui dentro e lá fora… espero em Deus que isso me alcance e aos outros também.

Nele, que se revela nas mais diversas formas.

Palavras soltas sobre o amor

Publicado: sábado, 13 junho , 2009 em Livre

Menino+bolo

Penso que o amor não seja como receita de bolo, que por mais que se tente combinar os ingredientes corretamente sempre será um sabor diferente do primeiro para o segundo bolo. Do mesmo modo como uma bula, onde acreditamos nas indicações esperando um resultado que satisfaça a necessidade de curar-se, a posologia para não exagerar na dose ( em excesso não é bom e de menos também ), sabendo de todas as contra-indicações torcemos para não ter efeitos colaterais,  mas mesmo assim esperamos que  venha a funcionar conforme foi-nos receitado. Não adianta, sempre funciona diferente com cada um, é inevitável.

Seria tão mais fácil se conseguíssemos conjugar o verbo amar em todos os seus pretéritos, de preferência o mais-que-perfeito, mas não é bem assim, não como deveria ser. Às vezes soa como surreal, nossa crença chega a se abalar duvidando que seja improvável amar nos dias de hoje.

“É dando que se recebe” ?! Sem dúvida que sim. Acredito que amar seja um pouco mais que isso, porque é lógico dar e querer algo em troca, uma permuta. Amar é doação incondicional. É fazer alguém se sentir bem sem que ela peça isto a você. É fazer algo de sorriso estampado com a alma lavada de satisfação.

Ao acordarmos, seguindo a rotina normal, quanto tempo doamos as coisas que acreditamos amar ? Quanto tempo do nosso dia doamos as pessoas que acreditamos amar ? Parece que levantamos da cama configurados, numa existência automática que às vezes, ou na maioria delas, deixamos de lado esta doação. Isso é amor ?

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã” diz a canção. E digo mais: Somos agraciados diariamente com a oportunidade de também nos doarmos de verdade a um amor pelas artes, pelo trabalho, pelos estudos, a uma causa, a uma ideologia, algo que justifique a razão do existir. O tempo foi perdido ? Talvez não, mas oportunidades adiadas sim.

Descubra o amor, e renda-se sinceramente a ele, seguindo sua própria receita, pois a cada amanhecer temos uma segunda, terceira chance para começar uma nova história.

Acredito que amar é sinônimo de doação. Se você pensa assim também, Doe.

Valentine’s Day is coming !

Publicado: terça-feira, 9 junho , 2009 em Livre

E como está chegando o dia dos namorados, me peguei lembrando do dia que ainda nem éramos. Fiz um poeminha e pedi pra ler naquela festinha, lembro-me como se fosse hoje.

Não importa o quanto nossa vida nos obriga a ser sérios…
Todos nós procuramos alguém para sonhar… brincar… amar…
e tudo o que precisamos, é de uma mão pra segurar,
e um coração para nos entender. “

Jamilly se tornou minha pretinha e hoje a saudade bateu a porta.

Amo muito !!!

Um vídeo que diz muito.

Janelando

Publicado: quinta-feira, 14 maio , 2009 em Livre

 

 Crianças

Pela janela do quarto passa a luz que desperta logo cedo, cega os olhos anunciando que o dia começou. Vemos por ela a previsão do tempo, vestimos um casaco se o vento gelado sopra ou usamos óculos escuros se o sol estiver brilhando forte, mesmo assim o imprevisível está lá fora. 

Pela janela do carro vemos outros passando pelo lado, os carros. No mesmo sentido de mão, mas guiados sem sentimento algum, vazias, as pessoas. Vindo em direção contrária em cores e modelos diferentes, em duas ou quatro janelas, eles, apressados, agoniados, incoerentes causadores de acidentes.

 Janela fechada é ar condicionado em dia quente de trânsito lento. 

Janela aberta é a arma na cara, a multa na mão, um pedinte em direção.

 Toc-toc na janela entreaberta no semáforo, quem é? É uma bala, um chiclete, um doce nas mãos da criança de rosto sujo, cabelo despenteado. Olhos tristes ficam ao ouvir secamente um NÃO ao mesmo tempo em que o vidro da janela sobe.

 Da janela do vigésimo sétimo andar, olhar inclinado para as pessoas lá embaixo na avenida ( neste caso a Paulista ), pequenas como formiga, caminhando em várias direções com sentidos focalizados diferencialmente em coisas simples e também complexas, que de certa forma as motivam e as fazem continuar os passos. Será? 14 minutos se passaram nesta observação com um café em mãos, já são 05h09min PM, hora de ir embora.

 Toc-toc na janela entreaberta, quem é? É o cartão do estacionamento esquecido entregue pelo capitalismo fardado, disfarçado. 14 reais pagos para proteger um bem, junto com o cartão vêm o troco de 1 real em moeda, a mesma que poderá comprar amanhã o doce rejeitado de hoje. Será?

 Pela janela passam vidas, passam carros, avenidas. Sempre do lado de cá isolamos o lado de lá por esta fina camada. Janela nos separa, nos distancia, dificilmente aproxima.

 Janela é devaneio em dias de angustia, amargura.

Janela é preocupação em noites de insônia.

Janela é olhar inspirado para o nada na esperança de que tudo aconteça diferente no dia seguinte.

 ( Na falta da janela a varanda )

  E assim sempre foi e assim sempre será: Janelando, janelando e janelando…

Hora de mudar

Publicado: terça-feira, 7 abril , 2009 em Livre

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Texto enviado no último dia de trabalho na Philip Morris.

Como sair da comodidade para enfrentar o desconhecido e ter coragem para mudar o rumo da vida?

O poeta gaúcho Mário Quintana certa vez escreveu:

Tão bom viver dia a dia…
A vida, assim, jamais cansa

Esse pequeno verso parece fazer referência a uma existência cotidiana sem sobressaltos ou mudanças, rotineira e monótona, apesar de confortável. Trata-se da abertura do poema “Canção do dia de sempre”, que, ao contrário do que possa parecer na primeira impressão, é um alerta sobre o verdadeiro estado geral das coisas – a mudança. Continua ele:

Mas a rosa louca dos ventos
Está presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas.

Pois é, esse poema é como a vida de todos nós, que muda quando menos esperamos. Ou que muda porque esperamos que mude. Mas que muda, muda. O que não podemos é ficar distraídos, imaginando que tudo será como sempre foi.

Quando nos debruçamos um pouco sobre a história das mudanças, sempre encontramos seus personagens. Pessoas que promoveram as transformações e que depois foram acompanhadas pelas demais. Os “promotores de mudanças” têm algumas características em comum.

As mudanças podem ser traumáticas ou amigáveis, isso vai depender da relação que construímos com elas. E, é claro, vai depender também da expectativa que temos do seu resultado.

Ninguém gosta de mudar para pior. Ou mudamos por conta própria, e sempre para melhor, ou as mudanças acontecerão à nossa revelia – e, nesse caso, não temos garantia de que será para melhor.

“Eugenio Mussak – Vida Simples”

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Chegou a hora de mudar, não para algo certo, um emprego novo ou promoção, não é isso. Estou mudando por decisão pessoal, em prol da minha identidade e por tudo aquilo que creio ser o melhor.

Hoje encerro minhas atividades na Premier / Philip Morris. Foram quase 2 anos de muito aprendizado e trabalho como analista de suporte nível 2 juntamente com os demais analistas do Help Desk sempre buscando servir e atender da melhor forma possível todos os usuários, que, com o passar do tempo se transformaram em colegas e hoje amigos.

Agradeço a Deus a oportunidade que me foi concedida e a todos que contribuíram para meu crescimento profissional e pessoal, aprendi muito.

Não poderia deixar de agradecer ao Flávio, que me confiou este trabalho e possibilitou esta experiência, aos amigos Jeferson, Mirian, Elaine, Eliane, Rafael, Hamilton e Assis, pessoas que convivi diariamente e que conquistaram meu respeito, admiração e principalmente minha amizade. Aos galos cinzas de SCS: Rognei, Marcio, Moises e Jelson. Em Curituba: O Eduardo, Rafael, Alexandre Gaier, enfim, a toda a família Help Desk que sempre se animou e encontrou momentos bem humorados em meio a tantos chamados, obrigado a todos.

Abraços a turma animada do caixa, cpd, o pessoal da administração, área tática, vendas, key account, rh, lea, estoque, logística, distribuição, projeto isms, a todos, sem distinção nenhuma ou preferência. Lamento se em algum momento causei aborrecimento a alguém, tenham certeza que não foi intencional.

Fica o abraço, o bom-humor, e principalmente o sorriso deste baiano que passou por vocês, espero ter deixado uma boa lembrança.

Sucessoa todos e fiquem com Deus.

Confiante NAQUELE que controla minha vida e domina todos os meus passos.

Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas. Isaías 55:12

Em busca da inspiração

Publicado: domingo, 29 março , 2009 em Livre

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Que susto ! O despertador do celular avisa que mais um dia está começando. Abro os olhos, ainda meio sonolento adiciono alguns minutos extras para dormir um pouco mais, não é suficiente. Mesmo assim a noite mal dormida reflete logo cedo um cansaço no corpo que não deveria existir, pois dormimos justamente para descansá-lo, mas tudo bem, nada que um alongamento não melhore. Sento. Ainda na cama, olho para o nada e penso no dia que está por vir, nada de surpresas ou acontecimentos extraordinários, apenas a roupa será a diferença do dia.

Melhoro. O banho quente desperta as células do corpo e cada anseio do dia desce pelo ralo junto com a água. Já arrumado, fico caminhando pela cozinha a procura de não sei bem o que para comer. Preparo apenas um café forte para concluir o despertar e enquanto o saboreio na varanda, olho o céu, o sol, a rua, as pessoas que passam por ela. Agora sim, totalmente pronto!

Saio de casa em direção ao transporte público nosso de cada dia observando cuidadosamente cada expressão, cada olhar daqueles que talvez começaram o dia exatamente como relatado nas linhas acima. O restante do dia acontece de forma natural, as atividades normais no trabalho, na faculdade, em casa, seja qual for o lugar sempre estaremos resolvendo algo com duas ou três gotas de estresse.

Soa familiar ?

Não sei se você já se perguntou qual o propósito de cada dia, o porquê de viver numa certa rotina. Já se perguntou? Mas de onde vem a inspiração para fazer cada dia um diferente do outro? De onde vem a coragem para a mudança? Não é fácil responder essas perguntas, não mesmo.

Os dias são mais do que o conjunto de manhã, tarde, noite, madrugada… São as páginas que escrevemos da nossa história, e quanto mais passamos despercebidos, sugados por este mundo-cão, mais páginas ficam em branco.

O emprego não pode ser apenas o salário no final do mês, a faculdade não pode ser apenas o diploma no final do curso, tem que existir algo mais valioso nisso tudo, algo que dê sentido real e profundo as coisas que fazemos, algo que nos faça pular da cama com vontade aos abrirmos os olhos logo cedo, e que traga o brilho nestes mesmos olhos. Tem que existir algo a mais.

Finalizo com uma frase que li outro dia no orkut de alguém:

Uma estranha sensação de algo extraordinário ainda para ser feito”. É assim que começa o despertar para a mudança e consequentemente a inspiração para agir.

Uma página foi escrita,

Fecho os olhos.

Naquele que nos inspira a viver todos os dias.

Ouça:


Vida na cama

Publicado: domingo, 8 fevereiro , 2009 em Livre

No pós-almoço desta sexta-feira que passou, vi um vídeo super agradável no media center do yahoo que me impressionou bastante pela suavidade. Foi utilizada a técnica de animação stop motion, onde o animador trabalha fotografando objetos, fotograma por fotograma, ou seja, quadro a quadro. Entre um fotograma e outro, o animador muda um pouco a posição dos objetos. Quando o filme é projetado a 24 fotogramas por segundo, temos a ilusão de que os objetos estão se movimentando.

Fiquei imaginando como seria ter uma vida na cama, estranho pensar nisso hein ?! rs, mas sem dúvida já tivemos que passar uma temporada nos recuperando de algum acidente, de uma doença, etc. De um jeito bem humorado pensei no que não poderia faltar perto cama.

* Um notebook, claro ! ( na falta do wireless, alguém teria que puxar o cabo de rede, porque sem internet não dá. hehe )

* A vida simples =)

* O chocolate shot da lacta

* Meus seriados e mais outras coisas.

E você ? O que não poderia faltar perto da sua cama?

Bem, segue o clip Her Morning Elegance do artista de origem israelense Oren Lavie.

Detalhe interessante: Peixes-meia muito legal.

Aos poucos irei postando coisas novas, tenho que escrever, externar !!!

Abraços