O cotidiano observado por um outro ângulo.

Palavras soltas sobre o amor

sábado, 13 junho , 2009 · 3 Comentários

Menino+bolo

Penso que o amor não seja como receita de bolo, que por mais que se tente combinar os ingredientes corretamente sempre será um sabor diferente do primeiro para o segundo bolo. Do mesmo modo como uma bula, onde acreditamos nas indicações esperando um resultado que satisfaça a necessidade de curar-se, a posologia para não exagerar na dose ( em excesso não é bom e de menos também ), sabendo de todas as contra-indicações torcemos para não ter efeitos colaterais,  mas mesmo assim esperamos que  venha a funcionar conforme foi-nos receitado. Não adianta, sempre funciona diferente com cada um, é inevitável.

Seria tão mais fácil se conseguíssemos conjugar o verbo amar em todos os seus pretéritos, de preferência o mais-que-perfeito, mas não é bem assim, não como deveria ser. Às vezes soa como surreal, nossa crença chega a se abalar duvidando que seja improvável amar nos dias de hoje.

“É dando que se recebe” ?! Sem dúvida que sim. Acredito que amar seja um pouco mais que isso, porque é lógico dar e querer algo em troca, uma permuta. Amar é doação incondicional. É fazer alguém se sentir bem sem que ela peça isto a você. É fazer algo de sorriso estampado com a alma lavada de satisfação.

Ao acordarmos, seguindo a rotina normal, quanto tempo doamos as coisas que acreditamos amar ? Quanto tempo do nosso dia doamos as pessoas que acreditamos amar ? Parece que levantamos da cama configurados, numa existência automática que às vezes, ou na maioria delas, deixamos de lado esta doação. Isso é amor ?

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã” diz a canção. E digo mais: Somos agraciados diariamente com a oportunidade de também nos doarmos de verdade a um amor pelas artes, pelo trabalho, pelos estudos, a uma causa, a uma ideologia, algo que justifique a razão do existir. O tempo foi perdido ? Talvez não, mas oportunidades adiadas sim.

Descubra o amor, e renda-se sinceramente a ele, seguindo sua própria receita, pois a cada amanhecer temos uma segunda, terceira chance para começar uma nova história.

Acredito que amar é sinônimo de doação. Se você pensa assim também, Doe.

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Valentine’s Day is coming !

terça-feira, 9 junho , 2009 · 1 Comentário

E como está chegando o dia dos namorados, me peguei lembrando do dia que ainda nem éramos. Fiz um poeminha e pedi pra ler naquela festinha, lembro-me como se fosse hoje.

Não importa o quanto nossa vida nos obriga a ser sérios…
Todos nós procuramos alguém para sonhar… brincar… amar…
e tudo o que precisamos, é de uma mão pra segurar,
e um coração para nos entender. “

Jamilly se tornou minha pretinha e hoje a saudade bateu a porta.

Amo muito !!!

Um vídeo que diz muito.

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Janelando

quinta-feira, 14 maio , 2009 · 2 Comentários

 

 Crianças

Pela janela do quarto passa a luz que desperta logo cedo, cega os olhos anunciando que o dia começou. Vemos por ela a previsão do tempo, vestimos um casaco se o vento gelado sopra ou usamos óculos escuros se o sol estiver brilhando forte, mesmo assim o imprevisível está lá fora. 

Pela janela do carro vemos outros passando pelo lado, os carros. No mesmo sentido de mão, mas guiados sem sentimento algum, vazias, as pessoas. Vindo em direção contrária em cores e modelos diferentes, em duas ou quatro janelas, eles, apressados, agoniados, incoerentes causadores de acidentes.

 Janela fechada é ar condicionado em dia quente de trânsito lento. 

Janela aberta é a arma na cara, a multa na mão, um pedinte em direção.

 Toc-toc na janela entreaberta no semáforo, quem é? É uma bala, um chiclete, um doce nas mãos da criança de rosto sujo, cabelo despenteado. Olhos tristes ficam ao ouvir secamente um NÃO ao mesmo tempo em que o vidro da janela sobe.

 Da janela do vigésimo sétimo andar, olhar inclinado para as pessoas lá embaixo na avenida ( neste caso a Paulista ), pequenas como formiga, caminhando em várias direções com sentidos focalizados diferencialmente em coisas simples e também complexas, que de certa forma as motivam e as fazem continuar os passos. Será? 14 minutos se passaram nesta observação com um café em mãos, já são 05h09min PM, hora de ir embora.

 Toc-toc na janela entreaberta, quem é? É o cartão do estacionamento esquecido entregue pelo capitalismo fardado, disfarçado. 14 reais pagos para proteger um bem, junto com o cartão vêm o troco de 1 real em moeda, a mesma que poderá comprar amanhã o doce rejeitado de hoje. Será?

 Pela janela passam vidas, passam carros, avenidas. Sempre do lado de cá isolamos o lado de lá por esta fina camada. Janela nos separa, nos distancia, dificilmente aproxima.

 Janela é devaneio em dias de angustia, amargura.

Janela é preocupação em noites de insônia.

Janela é olhar inspirado para o nada na esperança de que tudo aconteça diferente no dia seguinte.

 ( Na falta da janela a varanda )

  E assim sempre foi e assim sempre será: Janelando, janelando e janelando…

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Hora de mudar

terça-feira, 7 abril , 2009 · 4 Comentários

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Texto enviado no último dia de trabalho na Philip Morris.

Como sair da comodidade para enfrentar o desconhecido e ter coragem para mudar o rumo da vida?

O poeta gaúcho Mário Quintana certa vez escreveu:

Tão bom viver dia a dia…
A vida, assim, jamais cansa

Esse pequeno verso parece fazer referência a uma existência cotidiana sem sobressaltos ou mudanças, rotineira e monótona, apesar de confortável. Trata-se da abertura do poema “Canção do dia de sempre”, que, ao contrário do que possa parecer na primeira impressão, é um alerta sobre o verdadeiro estado geral das coisas – a mudança. Continua ele:

Mas a rosa louca dos ventos
Está presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas.

Pois é, esse poema é como a vida de todos nós, que muda quando menos esperamos. Ou que muda porque esperamos que mude. Mas que muda, muda. O que não podemos é ficar distraídos, imaginando que tudo será como sempre foi.

Quando nos debruçamos um pouco sobre a história das mudanças, sempre encontramos seus personagens. Pessoas que promoveram as transformações e que depois foram acompanhadas pelas demais. Os “promotores de mudanças” têm algumas características em comum.

As mudanças podem ser traumáticas ou amigáveis, isso vai depender da relação que construímos com elas. E, é claro, vai depender também da expectativa que temos do seu resultado.

Ninguém gosta de mudar para pior. Ou mudamos por conta própria, e sempre para melhor, ou as mudanças acontecerão à nossa revelia – e, nesse caso, não temos garantia de que será para melhor.

“Eugenio Mussak – Vida Simples”

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Chegou a hora de mudar, não para algo certo, um emprego novo ou promoção, não é isso. Estou mudando por decisão pessoal, em prol da minha identidade e por tudo aquilo que creio ser o melhor.

Hoje encerro minhas atividades na Premier / Philip Morris. Foram quase 2 anos de muito aprendizado e trabalho como analista de suporte nível 2 juntamente com os demais analistas do Help Desk sempre buscando servir e atender da melhor forma possível todos os usuários, que, com o passar do tempo se transformaram em colegas e hoje amigos.

Agradeço a Deus a oportunidade que me foi concedida e a todos que contribuíram para meu crescimento profissional e pessoal, aprendi muito.

Não poderia deixar de agradecer ao Flávio, que me confiou este trabalho e possibilitou esta experiência, aos amigos Jeferson, Mirian, Elaine, Eliane, Rafael, Hamilton e Assis, pessoas que convivi diariamente e que conquistaram meu respeito, admiração e principalmente minha amizade. Aos galos cinzas de SCS: Rognei, Marcio, Moises e Jelson. Em Curituba: O Eduardo, Rafael, Alexandre Gaier, enfim, a toda a família Help Desk que sempre se animou e encontrou momentos bem humorados em meio a tantos chamados, obrigado a todos.

Abraços a turma animada do caixa, cpd, o pessoal da administração, área tática, vendas, key account, rh, lea, estoque, logística, distribuição, projeto isms, a todos, sem distinção nenhuma ou preferência. Lamento se em algum momento causei aborrecimento a alguém, tenham certeza que não foi intencional.

Fica o abraço, o bom-humor, e principalmente o sorriso deste baiano que passou por vocês, espero ter deixado uma boa lembrança.

Sucessoa todos e fiquem com Deus.

Confiante NAQUELE que controla minha vida e domina todos os meus passos.

Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas. Isaías 55:12

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Em busca da inspiração

domingo, 29 março , 2009 · 3 Comentários

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Que susto ! O despertador do celular avisa que mais um dia está começando. Abro os olhos, ainda meio sonolento adiciono alguns minutos extras para dormir um pouco mais, não é suficiente. Mesmo assim a noite mal dormida reflete logo cedo um cansaço no corpo que não deveria existir, pois dormimos justamente para descansá-lo, mas tudo bem, nada que um alongamento não melhore. Sento. Ainda na cama, olho para o nada e penso no dia que está por vir, nada de surpresas ou acontecimentos extraordinários, apenas a roupa será a diferença do dia.

Melhoro. O banho quente desperta as células do corpo e cada anseio do dia desce pelo ralo junto com a água. Já arrumado, fico caminhando pela cozinha a procura de não sei bem o que para comer. Preparo apenas um café forte para concluir o despertar e enquanto o saboreio na varanda, olho o céu, o sol, a rua, as pessoas que passam por ela. Agora sim, totalmente pronto!

Saio de casa em direção ao transporte público nosso de cada dia observando cuidadosamente cada expressão, cada olhar daqueles que talvez começaram o dia exatamente como relatado nas linhas acima. O restante do dia acontece de forma natural, as atividades normais no trabalho, na faculdade, em casa, seja qual for o lugar sempre estaremos resolvendo algo com duas ou três gotas de estresse.

Soa familiar ?

Não sei se você já se perguntou qual o propósito de cada dia, o porquê de viver numa certa rotina. Já se perguntou? Mas de onde vem a inspiração para fazer cada dia um diferente do outro? De onde vem a coragem para a mudança? Não é fácil responder essas perguntas, não mesmo.

Os dias são mais do que o conjunto de manhã, tarde, noite, madrugada… São as páginas que escrevemos da nossa história, e quanto mais passamos despercebidos, sugados por este mundo-cão, mais páginas ficam em branco.

O emprego não pode ser apenas o salário no final do mês, a faculdade não pode ser apenas o diploma no final do curso, tem que existir algo mais valioso nisso tudo, algo que dê sentido real e profundo as coisas que fazemos, algo que nos faça pular da cama com vontade aos abrirmos os olhos logo cedo, e que traga o brilho nestes mesmos olhos. Tem que existir algo a mais.

Finalizo com uma frase que li outro dia no orkut de alguém:

Uma estranha sensação de algo extraordinário ainda para ser feito”. É assim que começa o despertar para a mudança e consequentemente a inspiração para agir.

Uma página foi escrita,

Fecho os olhos.

Naquele que nos inspira a viver todos os dias.

Ouça:

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Vida na cama

domingo, 8 fevereiro , 2009 · 4 Comentários

No pós-almoço desta sexta-feira que passou, vi um vídeo super agradável no media center do yahoo que me impressionou bastante pela suavidade. Foi utilizada a técnica de animação stop motion, onde o animador trabalha fotografando objetos, fotograma por fotograma, ou seja, quadro a quadro. Entre um fotograma e outro, o animador muda um pouco a posição dos objetos. Quando o filme é projetado a 24 fotogramas por segundo, temos a ilusão de que os objetos estão se movimentando.

Fiquei imaginando como seria ter uma vida na cama, estranho pensar nisso hein ?! rs, mas sem dúvida já tivemos que passar uma temporada nos recuperando de algum acidente, de uma doença, etc. De um jeito bem humorado pensei no que não poderia faltar perto cama.

* Um notebook, claro ! ( na falta do wireless, alguém teria que puxar o cabo de rede, porque sem internet não dá. hehe )

* A vida simples =)

* O chocolate shot da lacta

* Meus seriados e mais outras coisas.

E você ? O que não poderia faltar perto da sua cama?

Bem, segue o clip Her Morning Elegance do artista de origem israelense Oren Lavie.

Detalhe interessante: Peixes-meia muito legal.

Aos poucos irei postando coisas novas, tenho que escrever, externar !!!

Abraços

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O anjo mais velho

domingo, 30 novembro , 2008 · 3 Comentários

O anjo mais velho

O Teatro Mágico

Composição: Fernando Anitelli

“O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente”

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh’alma d’aquilo que outrora eu deixei de acreditar

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto… depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

 

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Histórias com o Vovô: A Feira

domingo, 20 abril , 2008 · 13 Comentários

Jack Jonhson – Hope

Sabe quando você abre o armário da cozinha vasculhando desesperadamente por todas as portinhas algo que não seja enlatado? Ou na geladeira algo que não esteja congelado há vários dias? E depois de muito procurar se dá conta que nenhum ingrediente necessário para preparar aquela receitinha caseira está disponível e muito menos alguma coisa interessante para comer? A não ser aqueles pacotes intermináveis de miojo que são recusados na primeira olhada com aquela cara de “hoje não”? Então… Depois de responder sim a essas perguntas concluímos que é hora de repor os mantimentos fazendo aquela boa compra, seja ela de mercado ou de feira livre, não é verdade?

As compras de mercado são um pouco chatas de se fazer, talvez pela frieza do contato dos atendentes das diversas seções ou até pela grande concorrência das redes de super, hiper, mini, mega, macro mercados que causam uma confusão na sua cabeça com promoções da terça da economia, quarta da verdura, sexta da carne, enfim, isso desnorteia deixando-nos sem saber em qual ir. Ressalto o em qual ir, porque você olha qual cartão está em mãos, se é o carrefourcard, hipercard, visavale, visa, mastercard, ahhhh… O card que esteja com limite disponível. Isso incomoda bastante, pois afinal tem mercado com preços mais atraentes que o outro, só que o cartão com limite não é compatível e desse jeito vai complicando a situação de ir comprar o que de fato sua casa, e principalmente você (obvio) precisa urgentemente para sobreviver, essas coisas.

O grande lance das feiras livres é que não existe esta dúvida, é o dinheiro ali na mão, as moedinhas trocadas, ou a maquininha do débito em alguns casos. Lá, o pessoal das verduras, legumes, frutas, aves, carnes, pescados, biscoitos, queijos e manteigas disputam na base do grito a atenção dos fregueses com aquelas frases típicas: “mulher bonita não paga, mas também não leva”, “o que vai ser hoje freguesa?”, “Olha a laranja, 20 por 1”, existe aquele calor que só as feiras livres tem, os feirantes mantém um relacionamento agradável com os “clientes”, pois existem aquelas barracas onde se compra a bastante tempo e isso torna-se um vinculo de amizade até, na maioria das vezes.

A feira aqui no bairro onde moro, Parque Peruche em Casa Verde, é sempre as quintas-feiras. Assim que abro o portão, já tem feirantes montando as barracas, arrumando as frutas, vou descendo a rua em direção ao ponto de ônibus e observando tudo isso, automaticamente, meio sem querer, me transporto para a feirinha do bairro Brasil, lá em Vitória da Conquista-BA, terra natal, relembrando os momentos maravilhosos em que fazia a feira com o meu avô. Quem nunca foi levado à feira pelos pais ou avós quando criança? É sobre esse saudoso tempo que estarei falando.

Manhã de sábado ensolarada, bem cedinho ainda, com um pouco de sono, olhava meu avô preparar as sacolas e a “galinhota” para eu levar pelas ruas até chegarmos à feira. ( Definição de galinhota: carrinho de mão, viu gente?! rs ). Empurrava-a tranquilamente pelo percurso já conhecido, Avenida Itabuna, observando os vizinhos comprando pães no “Bazão” ( padaria Soraia ) e ouvindo o barulho que só ela fazia, a roda com chiado necessitando de um pouco de óleo na engrenagem.

Chegando a “feirinha”, começávamos a comprar as carnes e frangos, subindo um pouco mais a rua era a vez das verduras, legumes e hortaliças, mais adiante a área dos biscoitos, queijos e requeijões, nossa… lembro-me que sempre havia um punhado de biscoito “avuadô” e um pedaço de requeijão, hummm… que delícia, e por fim as frutas nas suas mais diversas cores e sabores. Sempre em todas as barracas, sem exceção, meu avô fazia questão de perguntar as pessoas como elas estavam, sobre suas vidas, a família, como estava fulano, se a vida na roça estava boa, fora as piadinhas sobre se a laranja estava realmente doce e as reclamações que uma verdura ou outra estava com preço elevado, recordo que o andú sempre era caro.

Na volta para casa, meu avô falava-me para sentar na parte da frente do carrinho, pois já estava pesado e eu não conseguiria empurrá-lo, visto que era um menino franzino ainda. Descíamos à mesma Avenida Itabuna, e eu lá, sentado e feliz da vida, ansiando o momento de guardar as compras da feira e tomar o café da manhã comendo farinha de goma com pedaços de requeijão no café quente feito por minha avó Fidelcina. Sabia que a semana seria deliciosa, com iguarias preparadas por ela: como abóbora com leite, aipim com carne frita, quiabo com pedacinhos de carne, entre outros, hummmm… mais uma vez que delícia !!!

Foram momentos inesquecíveis da infância, que por mais simples que fossem, me ensinaram muitos valores que tem grande valia para hoje. Quero ainda empurrar aquela mesma “galinhota” de anos atrás ouvindo meu avô contar várias histórias que só ele sabe como contar.

Se você algum dia teve a oportunidade de fazer algo bem legal com o seu avô/avó, ou faz ainda hoje, valorize cada momento, e pode ter certeza que esse gesto se repetirá involuntariamente com seus filhos também, pois essas pessoas de cabelos brancos e pele enrugada são citadas a todo instante por nós, relembrando a infância nas rodas de conversa descontraída entre os amigos.

Já pensava nessas coisas que escrevi há bastante tempo, e sentia essa nostalgia também, em Conquista mesmo, talvez o fato dele ter completado 79 anos de vida neste 18 de abril tenha feito essas lembranças virem com força e serem expressadas com palavras neste dia. É uma forma de deixar registrada a minha imensa felicidade de ser um neto que foi criado como filho, é tanto que chamo “Seu Eutiquiano, Riquinho, Tiquiano” como pai… pai de verdade, de ensinamentos e várias histórias a serem contadas por mim aos meu filhos, quiçá netos, sobre este homem incrível que nos dá a enorme alegria de sermos seus descendentes.

Parabéns viu “Caburé” ?!, saudades demais de você, chegando ai dou aquele abraço forte, tem amo muito Chico !!!

 

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Trilhos da Necessidade Humana

domingo, 2 março , 2008 · 7 Comentários

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Pode ser lido ao som de Charlie Hall – One Body One Spirit

 

O sol nasce igual para todos, mas a forma como brilha é muito diferente. Diferença essa que pode ser notada num simples trajeto urbano, seja para o trabalho, faculdade ou qualquer outro lugar. Possuir o próprio transporte é também possuir tranqüilidade em fazer o percurso rapidamente, isso quando a frota paulistana com cerca de 6 milhões de veículos emplacados não resolve trafegar quase que de vez, mas a maioria das pessoas usa o bom e velho metrô/trem, chegando até eles através dos ônibus ou lotações.

A estação Palmeiras-Barra Funda é o ponto de partida que me conduz até a estação de Carapicuíba, de onde sigo de ônibus até Barueri para a jornada diária de trabalho. Nesse período, cerca de 30 minutos de trajeto, observo muitas coisas que me chamam a atenção até hoje. ( A volta para casa funciona no sentido inverso nas mesmas observações ).

As peculiaridades dentro dos vagões chegam a ser gritantes, pode-se ver de tudo: Homens bem vestidos, com gravatas, calçados com democratas, maletas ou mochilas em mãos e olhar indiferente; Jovens com jeans, camiseta e, óbvio, mochila nas costas e fones no ouvido, descontraídos pelo ritmo da música ( diga-se de passagem que mochila e mp3player é item quase que obrigatório a todas as categorias ); Pessoas que mal começaram o dia e já se mostram cansadas, com semblante desfalecido e forte sonolência ( é impressionante como as pessoas dormem no trem, basta entrar para já fecharem os olhos ); Estudantes revisando a matéria para a prova a se realizar logo mais; Leitores das mais diversas literaturas, de gibis à Nietzsche; Enfermos pedindo ajuda na esperança de comprar remédios para suas doenças; Pedintes clamando 5 centavinhos para ao final do dia levarem comida para casa; Ambulantes vendendo de tudo, quando digo tudo é tudo mesmo: bebidas, chocolates da Hershey´s ( nem falam direito, tadinhos ); palavra cruzada; tesouras; Trident; Halls; uma infinidade de itens nas mais diversas formas de promoção e persuasão que se possa imaginar, 5 por 1, 2 por 50 e por ai vai. Todas elas imaginando se chegarão ao final do dia felizes. Ai que fico me perguntando: “O que vem a ser a felicidade no final do dia para as pessoas do metrô/trem e para os motoristas ? ”

É triste saber que tem gente que solta fogos quando o ponteiro do relógio marca 18h, e mais ainda quando não pegam trânsito lento nas marginais Tietê e Pinheiros, felicidade para elas ao final do dia é isso, chega a ser um sentimento mesquinho.

Os “tiozinhos” e “tiazinhas” torcem, rezam, oram, chamam por todos os deuses possíveis e gritam literalmente a todos os passageiros para conseguirem dinheiro suficiente a fim de manterem a sobrevivência, sabendo que ao chegarem em casa terão recompensa, não 13º FGTS e etc, mas belos sorrisos e gratidão na alma de toda família, que os encorajarão para o dia seguinte. É um trabalho árduo e muito digno, altamente valoroso.

As demais pessoas ficam felizes por sobreviverem a mais um dia de grato trabalho e estudo, pois estão “trilhando” por este caminho para serem alguém na vida, como se ouve bastante.

Esse relato não tem intenção de causar-lhe tristeza, pena ou sentimento parecido, mas tem a finalidade de que você possa enxergar qual é a sua verdadeira necessidade e dar valor ao que realmente tem valor, a fim de ajudar a si mesmo e ao próximo. Partindo do pressuposto que existem pessoas em condições menos favoráveis que a sua.

Vale ressaltar que nunca se sabe quando se precisará de alguém para segurar a porta do vagão quando o trem estiver já saindo e você correndo desesperado para chegar a tempo e vê-lo partindo mais uma vez. Não vais ficar a ver navios, mas vagões com certeza.

Ajudar faz bem, não importa onde, a quem ou quando. Comece a reavaliar seus valores, assim estará ajudando a si mesmo.

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Dirigindo a Vida…

terça-feira, 27 novembro , 2007 · 6 Comentários

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Deve ser lido ao som de Bethany Dillon – The Kingdom

O velocímetro desse carro marca exatos 26 mil quilômetros rodados. Dizem que quando se chega a certa quilometragem é hora de fazer revisões. Motor avariado, nível de óleo a ser trocado, etc… o desgaste existe de fato? Bom… no meu caso é considerável esta revisão, pois já percorri muitas histórias e momentos. Todas essas revisões só porque o carro percorreu por inúmeras ruas, avenidas, cidades, estados, com o motorista sempre recebendo a brisa com o seu som mp3 tocando aquela música que embala suas vontades, seus desejos em dominar a eterna viagem que é a estrada da vida… Opaaaa…. Essa sim, não tem um destino final, somente paradas obrigatórias com sinalizações de que o que importa é se importar com aqueles que se importam conosco…

Porque uma viagem emocionante não é completa até que seja acompanhada e desfrutada por aqueles que fazem de um simples momento o maior de todos os momentos memoráveis.

Do que adianta dizer “eu me lembro quando eu…” se o que gera a felicidade plena, o sorriso eternizado nos lábios e a imagem na memória é o “você lembra quando nós…” fazendo o nosso pensamento ir pra bem longe num lugar chamado saudade.

Ahhh… como é bom viver e compartilhar os melhores momentos da nossa vida com os amigos, com a família, com a pessoa amada, seja nos almoços de domingo, nas conversas pós lanche em qualquer lugar, nas viagens inusitadas ( essas podem ser tantos reais quando nas imaginárias até se concretizarem, rs ).

Não tem a menor graça acelerar nas pistas sozinho, sem ter de perto os bons amigos que sabem o valor de um bom momento, o valor de uma risada gostosa, de coisas que só nós entendemos.

Gostaria de agradecer aos meus instrutores que me ensinaram como passar a marcha na hora certa, a tomar decisões que mudariam toda minha história, que até hoje mudam…

Que me ensinaram que na vida nem sempre ultrapassar outros carros, outras pessoas, iria me fazer chegar mais rápido ao meu destino…

Que me mostraram que o cinto de segurança mais eficaz é estar sob o temor Daquele que habilita, orienta e dirige nossas vidas.

Honro aos meus pais Iracema e Maciel, que me trouxeram a este mundo maravilhoso… aos meus avós Eutiquiano e Fidelcina que muito me orgulho de ser neto, talvez o neto mais filho de todos, rs.

Aos meu irmãos queridos, Matheus e Jóas, que são ótimos por demais, fico feliz em tê-los, a Diego e Débora, ahhh… nosso relacionamento tá de vento em polpa, rs.

Tios e tias, primos e primas… a todos vocês meu muito obrigado, pois cada um teve papel importante na minha formação.

Meu querido pastor Marcelo e esposa, por onde quer que eu ande serei sempre getsemanita… a Adna, Sousa e Gigas, pessoas super especiais que me acolheram de coração, que são um referencial na minha vida.

Aos meu tios Daniel e Ruti juntamente com meus primos Dan, Léo e Lely que me adotaram nessa nova BR que me encontro.

Aos amigos de ontem, de hoje, os de amanhã… os da escola, os da faculdade, os da informática, os de fases remotas da minha vida, auhauihai… os de fases atuais.

Rafa o primo amigo que acompanha os meus dias aqui, sofrendo e se alegrando também, que prazer imenso tê-lo perto.

A Davi… ouvinte de todas horas, porque amigo que é amigo, basta apenas ouvir [ ... ] conte comigo assim como conto contigo.

Não importa onde você esteja, são seus amigos que constituem seu mundo.

A minha Milly, a pretinha, quero-te sempre ao meu lado para que possamos ver a estrada do mesmo ângulo, pois por ela passaremos e chegaremos ao nosso destino, que é vivermos felizes sempre juntos.

Acho que de carro passou a ser um ônibus, mas não tem problema… é assim mesmo que vale a pena, uma vida de pessoas que não são passageiras, que não pagam passagem para acompanhar a melhor de todas as viagens da vida: a descoberta de quem realmente somos.

Convido a todos que me acompanharam até hoje a pisar fundo também no acelerador de suas vidas, pois viver lentamente em passos de formiga não ajuda a chegar a lugar algum.

Um brinde a este dia que marca uma nova fase… a minha, a sua (espero), a nossa… com muitas curvas, subidas, descidas, mas sem dúvida alguma com o tanque cheio de combustível.

 

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