Sabe quando você abre o armário da cozinha vasculhando desesperadamente por todas as portinhas algo que não seja enlatado? Ou na geladeira algo que não esteja congelado há vários dias? E depois de muito procurar se dá conta que nenhum ingrediente necessário para preparar aquela receitinha caseira está disponível e muito menos alguma coisa interessante para comer? A não ser aqueles pacotes intermináveis de miojo que são recusados na primeira olhada com aquela cara de “hoje não”? Então… Depois de responder sim a essas perguntas concluímos que é hora de repor os mantimentos fazendo aquela boa compra, seja ela de mercado ou de feira livre, não é verdade?
As compras de mercado são um pouco chatas de se fazer, talvez pela frieza do contato dos atendentes das diversas seções ou até pela grande concorrência das redes de super, hiper, mini, mega, macro mercados que causam uma confusão na sua cabeça com promoções da terça da economia, quarta da verdura, sexta da carne, enfim, isso desnorteia deixando-nos sem saber em qual ir. Ressalto o em qual ir, porque você olha qual cartão está em mãos, se é o carrefourcard, hipercard, visavale, visa, mastercard, ahhhh… O card que esteja com limite disponível. Isso incomoda bastante, pois afinal tem mercado com preços mais atraentes que o outro, só que o cartão com limite não é compatível e desse jeito vai complicando a situação de ir comprar o que de fato sua casa, e principalmente você (obvio) precisa urgentemente para sobreviver, essas coisas.
O grande lance das feiras livres é que não existe esta dúvida, é o dinheiro ali na mão, as moedinhas trocadas, ou a maquininha do débito em alguns casos. Lá, o pessoal das verduras, legumes, frutas, aves, carnes, pescados, biscoitos, queijos e manteigas disputam na base do grito a atenção dos fregueses com aquelas frases típicas: “mulher bonita não paga, mas também não leva”, “o que vai ser hoje freguesa?”, “Olha a laranja, 20 por 1”, existe aquele calor que só as feiras livres tem, os feirantes mantém um relacionamento agradável com os “clientes”, pois existem aquelas barracas onde se compra a bastante tempo e isso torna-se um vinculo de amizade até, na maioria das vezes.
A feira aqui no bairro onde moro, Parque Peruche em Casa Verde, é sempre as quintas-feiras. Assim que abro o portão, já tem feirantes montando as barracas, arrumando as frutas, vou descendo a rua em direção ao ponto de ônibus e observando tudo isso, automaticamente, meio sem querer, me transporto para a feirinha do bairro Brasil, lá em Vitória da Conquista-BA, terra natal, relembrando os momentos maravilhosos em que fazia a feira com o meu avô. Quem nunca foi levado à feira pelos pais ou avós quando criança? É sobre esse saudoso tempo que estarei falando.
Manhã de sábado ensolarada, bem cedinho ainda, com um pouco de sono, olhava meu avô preparar as sacolas e a “galinhota” para eu levar pelas ruas até chegarmos à feira. ( Definição de galinhota: carrinho de mão, viu gente?! rs ). Empurrava-a tranquilamente pelo percurso já conhecido, Avenida Itabuna, observando os vizinhos comprando pães no “Bazão” ( padaria Soraia ) e ouvindo o barulho que só ela fazia, a roda com chiado necessitando de um pouco de óleo na engrenagem.
Chegando a “feirinha”, começávamos a comprar as carnes e frangos, subindo um pouco mais a rua era a vez das verduras, legumes e hortaliças, mais adiante a área dos biscoitos, queijos e requeijões, nossa… lembro-me que sempre havia um punhado de biscoito “avuadô” e um pedaço de requeijão, hummm… que delícia, e por fim as frutas nas suas mais diversas cores e sabores. Sempre em todas as barracas, sem exceção, meu avô fazia questão de perguntar as pessoas como elas estavam, sobre suas vidas, a família, como estava fulano, se a vida na roça estava boa, fora as piadinhas sobre se a laranja estava realmente doce e as reclamações que uma verdura ou outra estava com preço elevado, recordo que o andú sempre era caro.
Na volta para casa, meu avô falava-me para sentar na parte da frente do carrinho, pois já estava pesado e eu não conseguiria empurrá-lo, visto que era um menino franzino ainda. Descíamos à mesma Avenida Itabuna, e eu lá, sentado e feliz da vida, ansiando o momento de guardar as compras da feira e tomar o café da manhã comendo farinha de goma com pedaços de requeijão no café quente feito por minha avó Fidelcina. Sabia que a semana seria deliciosa, com iguarias preparadas por ela: como abóbora com leite, aipim com carne frita, quiabo com pedacinhos de carne, entre outros, hummmm… mais uma vez que delícia !!!
Foram momentos inesquecíveis da infância, que por mais simples que fossem, me ensinaram muitos valores que tem grande valia para hoje. Quero ainda empurrar aquela mesma “galinhota” de anos atrás ouvindo meu avô contar várias histórias que só ele sabe como contar.
Se você algum dia teve a oportunidade de fazer algo bem legal com o seu avô/avó, ou faz ainda hoje, valorize cada momento, e pode ter certeza que esse gesto se repetirá involuntariamente com seus filhos também, pois essas pessoas de cabelos brancos e pele enrugada são citadas a todo instante por nós, relembrando a infância nas rodas de conversa descontraída entre os amigos.
Já pensava nessas coisas que escrevi há bastante tempo, e sentia essa nostalgia também, em Conquista mesmo, talvez o fato dele ter completado 79 anos de vida neste 18 de abril tenha feito essas lembranças virem com força e serem expressadas com palavras neste dia. É uma forma de deixar registrada a minha imensa felicidade de ser um neto que foi criado como filho, é tanto que chamo “Seu Eutiquiano, Riquinho, Tiquiano” como pai… pai de verdade, de ensinamentos e várias histórias a serem contadas por mim aos meu filhos, quiçá netos, sobre este homem incrível que nos dá a enorme alegria de sermos seus descendentes.
Parabéns viu “Caburé” ?!, saudades demais de você, chegando ai dou aquele abraço forte, tem amo muito Chico !!!




13 respostas Até agora ↓
Preta // Domingo, 20 Abril , 2008 às 5:49 pm |
Minhas idas às feiras livres não foram tão frequentes. Como te disse, as vovós vão geralmente aos supermercados e os vovôs às feiras, enfim mais isso não é via de regra. Mas tenho em memória lembranças de momentos semelhantes, como boa neta de ‘quitandeiro’ com seu “pata-pata” no bolso, provei de mtas frutas. Aquele filetinho de manga, gominho da tanja (tangerina, mexerica, pocã e outos termos regionais), jaca, melancia, avuadores, taquinho do bacalhau e etc etc.
Nas férias conheci a feira da casa verde, senti um pouco disso tbm n foi?, eu e Béa, comprando, experimentando, e observando a habilidade dos feirantes. auhaiuaiuuaa.. adorei.
Seu Tiquiano é uma figura mto especial, essa paixão pelas hortaliças até hoje perdura. Incontáveis os convites que ele me faz para ir ao quintal. Sempre me mostra as frutas, colhe algumas carambolas pra eu levar, me mostra o esconderijo das galinhas e por aí vai.
Adorei o textinho, e reafirmo que seu pai-avô é um grande homem sem dúvida. Tenho muita admiração por ele, sempre me fazendo rir cantarolando músicas antigas, seus comentários inesperados, me chamando pra sentar e ver tv e perguntando sobre vc.
Priscilla // Segunda-feira, 21 Abril , 2008 às 10:23 pm |
Nossa Marcio,vc me emocionou mto com esse texto…Fez a minha saudade aumentar ainda mais..Realmente nosso vô Tiquim é uma figura incrível!!!Sei q um dia retornarei a minha cidade natal e assim meus filhos poderam desfrutar dessas tão divertidas idas a feira…
Bernardo // Terça-feira, 22 Abril , 2008 às 8:17 pm |
Então Primo…
Esse tipo de coisa pra quem tá longe de casa há quase um ano não funciona muito bem, a gente acaba chorando. rsss
Enfim, não tive avô ( de nenhuma das partes..rs ) daí fui a feira com o meu Pai, umas duas vezes só. Eu até gostava, só achava tudo meio nojentão..mas era legal.
Pelo colar de côco e pelo revolver que era uma mega bala ( lembra disso?!! ) como aquilo era doce meu Deus. hahahaha saudade²
A vida é feita disso aí primo, passeios de galhinhotas com sabor de requeijão, vento no rosto com cheiro de coentro e a segurança de um futuro bom fundamentado nessas pessoas que escrevem o começo da nossa vida.
Bju. Texto Bom demais!!
Léo (Primim) // Quarta-feira, 23 Abril , 2008 às 12:58 am |
Primow… nem sei o que dizer…
A ponta dessa galinhota foi minha por muito tempo… ( o pedaço de requeijão e os biscoitinho também).
Abraço…
Saudadess que nem dá pra descrever!!!!
Fiinha // Quarta-feira, 23 Abril , 2008 às 6:47 pm |
Pois é painho.. idas á feira com avó eram muito boas.. tow tendo vagas lembranças agora de como era bom ouvir suas histórias que se passavam no sítio a noite.. a nostalgia de saber o final e começar outra diferente. Sempre que ela repetia eu fingia que não conhecia e “engolia” tudo outra vez… Até hoje qdo vou visitá-la ouço suas histórias e por incrível que pareça ela sempre tem uma nova..hehehe
Amo esses momentos e guardo no coração pra poder me lembrar que nem sempre as coisas “saem pela esquerda” rs
(Painhooo…sadanona master!!)
Georgia // Quinta-feira, 24 Abril , 2008 às 11:49 am |
Aii amigo…
Rafa disse aí que esse texto faz chorar quem tá longe de casa, mas eu que to em casa quase choro tb…
Quase choro pq seu texto me fez lembrar momentos que não voltam mais, momentos que poderiam ter sido mais aproveitados se no tempo em que foram vividos nós pudessemos perceber o valor que teriam hj…
Mas acho que esse é o sentido da nostalgia, sentir que podia ter sido mais aproveitado…e enquanto sentimos isso, esquecemos de dar o valor devido ao que vivemos agora….uowwwww…se eu continuar com isso nem sei onde vou parar…
O que fica disso tudo é que o que vivemos no passado faz de nós o que somos hj para construirmos algum futuro…acho até que estou plagiando alguém, mas acho que é mais ou menos por aí a realidade dessa nossa vida.
De tudo, o que fica mesmo é o que significamos para as pessoas que nos cercam…
E vc significa muito pra mim amigo…
Beijão
C Deus
Carlinha // Quinta-feira, 24 Abril , 2008 às 2:47 pm |
Cinhuu…=)
Não tenho muitas recordações de feiras, a única coisa que me agrada até hoje, e é uma coisa BEM paulistana: ” Um chopp e dois pastel ” … vamos salientar que troco o “chopps” pelo caldo de cana COM limão! hahaha…
Mas tenho inúmeras recordações do meu avó!!! E uma mais gostosa que a outra… piadas,documentários sobre cavalos,livros de inglês, frases que só fazem sentido SE ele falar..
ÊêÊ saudadeeee ! =/
Adorei o texto, viu?!
AH!
Dia 01 já sabe né?!
Andar de patins =)))
Chama os meninos também ..
Boraaaaaaaaaaaaaaaaaa dar risada… hahaha
Beijo ;*
E beeeeeeeeeeeeeeijão pra Milly, que faz mto tempo que não nos falamos. Saudade docê negaaa…
;*
littlecandy // Sexta-Feira, 25 Abril , 2008 às 1:36 am |
Às vezes me pergunto até que ponto é bom pensarmos no passado… acredito, depois de algumas reflexões, que até este ponto: sentir a boa recordação pulsando dentro de nós e nos dando vida. Sem correntes que nos prendam (e aqui, entenda-se, que nos aprisionem) a ele. Boas recordações que alegram nossos dias presentes, e que nos trarão alegrias nos dias futuros… Afinal, sempre existirá uma vaguinha na frente da galinhota, sempre haverá uma feirinha cercada de histórias e anedotas por entre o colorido das frutas e verduras… basta que a gente não se perca do nosso avô.
Adorei!
Altarquia // Domingo, 15 Junho , 2008 às 2:24 pm |
Valew irmaozao..!! A rapaziada de hoje perde por nao refletir tão sobriamente como tú …. vc engrandece sua geracão que deve se orgulhar de pessoas com reflexões tao nobres como estas tuas..
Abracão pra tú e pro seu Riquinho…!!!!
Fiinha again // Terça-feira, 24 Junho , 2008 às 4:08 pm |
Pow painho.. digo o msm pra vc, “escreva mais e preencha nossas mentes!”
E as fotos, msm que desbotadas, serão lembranças de um painho apaixonado nelas! =P
Bjoo
Carlinha // Quinta-feira, 10 Julho , 2008 às 1:35 pm |
Cinhuuu…
Mudei de cel, e to sem o seu telefone. Não lembro seu e-mail ..hahaha
Tenho um convite à fazer a vossa senhoria e a Milly!
Vamos ao Hopi Hari?!
Aqui na empresa tá com um desconto, sai R$ 45,00 os dois ingressos. Só que eu tenho que comprar até amanhã..
Vamos?!
Me liga ou responde por e-mail …
(( Espero que você veja esse recadoo!!! ahahaha))
Beijo ;*
julianareis // Domingo, 8 Fevereiro , 2009 às 1:54 pm |
amoooooooo feira, curto Jack johnson… parabéns pelo post.
bj
otacilio ribeiro // Segunda-feira, 20 Julho , 2009 às 6:54 pm |
Marcio: Feira de quinta no Peruche é na antiga rua B,atual Dr.Ignacio P.de Gouveia.Rua onde moro,pois nasci na Rua A (Waldemar Martins) e moro na B(Ignacio).De-me um salve.Vamos nos comunicar.Otacilio Ribeiro-Pres.Sociedade amigos do bairro do P.Peruche).